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Doença Pulmonar Por Mycobacterium Tuberculosis E Micobactérias Não-tuberculosas Entre Pacientes Recém-diagnosticados Como HIV Positivos Em Moçambique, África

Elizabete Abrantes Nunes, Eduardo Mello De Capitani, Elizabete Coelho, Alessandra Costa Panunto, Orvalho Augusto Joaquim, Marcelo de Carvalho Ramos

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OBJETIVO: A micobacteriose é frequentemente diagnosticada entre pacientes infectados pelo HIV. Em Moçambique, onde apenas um pequeno número de pacientes encontra-se sob tratamento anti-retroviral, e a tuberculose tem alta prevalência, existe a necessidade de melhor caracterização destes agentes bacterianos, em nível de espécie, bem como de se caracterizar os padrões de resistência às drogas antituberculosas. MÉTODOS: Em uma coorte de 503 indivíduos HIV positivos suspeitos de tuberculose pulmonar, 320 apresentaram positividade para baciloscopia ou cultura no escarro e no lavado brônquico. RESULTADOS: Bacilos álcool-ácido resistentes foram detectados no escarro em 73% dos casos com cultura positiva. De 277 isolados em cultura, apenas 3 mostraram-se tratar de micobactérias não-tuberculosas: 2 Mycobacterium avium e uma M. simiae. Todos os isolados de M. tuberculosis inicialmente caracterizados através de reação em cadeia de polimerase (RCP) do gene hsp65 foram posteriormente caracterizados como tal através de RCP do gene gyrB. Resistência à isoniazida foi encontrada em 14% dos casos; à rifampicina em 6%; e multirresistência em 5%. Pacientes previamente tratados para tuberculose mostraram tendência a taxas maiores de resistência às drogas de primeira linha. O padrão radiológico mais freqüente encontrado foi o infiltrado intersticial (67%), seguido da presença de linfonodos mediastinais (30%), bronquiectasias (28%), padrão miliar (18%) e cavidades (12%). Os pacientes infectados por micobactérias não-tuberculosas não apresentaram manifestações clínicas distintas das apresentadas pelos outros pacientes. A mediana de linfócitos CD4 entre todos os pacientes foi de 134 células/mm³. CONCLUSÕES: Tuberculose e AIDS em Moçambique estão fortemente associadas, como é de se esperar em países com alta prevalência de tuberculose. Embora as taxas de resistência a drogas sejam altas, o esquema isoniazida-rifampicina continua sendo a escolha apropriada para o início do tratamento.